Terça-feira, 12 de Maio de 2009

A hora do almoço

 Como se um sinal verde abrisse para iniciar uma corrida, eles saem todos em direcção a pequenos snacks espalhados pelas avenidas. Enchem um espaço já de si desconfortável. Engolem sandes e salgados à pressa. Não há tempo.

Pelas ruas as correrias e as conversas sobre a bolsa, o mercado, os juros e talvez sobre o fim-de-semana programado no turismo rural.

Entram e saem dos snacks e galopam pelo passeio. Os fatos de poliéster roçam uns nos outros. Os perfumes misturam-se com o cheiro da grelha e da "sopa do coração". Sai uma imperial, saem duas e mais duas. Os copos tilintam na travessa, os pratos estalam em cima uns dos outros, as conversas confundem-se e o volume é cada vez maior...

Saio. Procuro um banco num jardim ali perto e sento-me a comer. Passo os olhos pelo jornal e descanso as pernas esticando-as sobre o ar. As pessoas que passam olham-me com estranheza, como se eu não devesse estar ali. Eu deveria era estar encafuado no snack com os cheiros e o poliéster e não a almoçar na rua, a apanhar ar e a aproveitar o meu momento de descanso.

Para que serve afinal a "hora do almoço"?

publicado por António às 14:31
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