Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

A ida ao barbeiro II

 O cheiro do tabaco chegava-me deliciosamente vindo dos seus dedos enquanto me esfregava o cabelo. Fechei os olhos e não pensei em mais nada.

De seguida, encaminhou-me para o cadeirão onde Inácio me iria cortar o cabelo. Saiu novamente pela porta interior. O barbeiro aproveitou para se chegar perto do meu ouvido, enquanto me apertava a capa, e em jeito de segredo disse-me: "eu dantes tinha um rapaz, sabe? Até era bem jeitoso! Mas abriu um salão com a mulher, desses unissexos. Modernices! Tive de a contratar que não dava conta do recado sozinho!"

Disse-me aquilo como se se estivesse a justificar no mais profundo dos preconceitos. Como é belo o preconceito involuntário, idiossincrático! Ele representa aquilo que de mais impuro há nas pessoas que é a influência do meio e que é também o mais natural. E essa influência é também a tradição que está cada vez mais a distanciar-se da cidade.

Ficámos ainda um pouco a conversar. Inácio contou-me parte da vida, como é habitual nestas circunstâncias. Aconselhou-me a ficar sozinho pela cidade. A companhia dá cabo de nós, ficamos malucos - disse.

Saí e fui tratar de mais uns assuntos e fazer mais umas compras. Passei o fim-de-semana na vila e precisava de me abastecer para esta nova semana. Convidou-me a ir lá beber um café, sempre que quisesse. Lá se foi a conversa da companhia! Agradeci! Acho que vou voltar!

publicado por António às 19:22
link do post

Correio:

antonionacidade@sapo.pt

arquivos

Setembro 2009

Julho 2009

Maio 2009

Abril 2009

posts recentes

Início do II acto

O acordo

Manhã

Amores estivais

O Cristo-Rei

A hora do almoço

Quanto tempo o tempo tem?

A ida ao barbeiro II

A ida ao barbeiro I

Primeiras impressões

blogs SAPO

subscrever feeds